Paróquia: uma nova comunidade doméstica e virtual

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Os últimos dias tem se mostrado desafiadores. O novo Coronavírus (COVID – 19) trouxe, além de desolação e confusão, diversos dilemas e percalços que seguramente nunca imaginaríamos passar. Tais desafios fazem com que também a Igreja se coloque em uma nova atitude pastoral.

Já no início da Quaresma, na Missa de Cinzas e abertura da Campanha da Fraternidade – 2020, a Palavrade Deus proclamada preparava, de certa forma, todo o povo para o que agora, infelizmente, estamos vivendo e testemunhando. Na primeira leitura daquela Missa, o Senhor mais uma vez dizia, como num apelo amoroso e cheio de misericórdia, “volta para mim com todo o vosso coração” (cf. Jl 2,12). Essa palavra ressoou, naquele momento, quase como uma súplica: o que passou, passou! Volta para mim! Volta para a Igreja!

No contexto daquele dia, o COVID – 19 já causava impactos assustadores em diversos lugares do mundo. Porém, em terras brasileiras, muitos não encaravam a pandemia com a devida seriedade. O terrível vírus já estava presente e muitos não se deram conta. Assim é, também, com o pecado: um vírus letal, que deixa inúmeras pessoas adoentadas, distantes, perdidas, sozinhas.

A Igreja, como mãe protetora, vê, sente compaixão e cuida de todos (cf. Lc 10, 33-34). E propõe, como antídoto ao pecado, uma forma de quarentena vivida em comunidade. Tal como a imagem do Bom Samaritano, a Igreja, especialmente no tempo quaresmal, protege e alimenta os necessitados através da Palavra proclamada e nos sacramentos celebrados. Para um vírus tão mortal, como o pecado, a Igreja prescreve o que é imortal: Cristo, que nos chama à conversão.

Nos últimos dias, todos estamos vendo o avanço do Coronavírus. Os católicos estão percebendo que a Quaresma de 2020, tem se mostrado como prefigurativa do momento que o Brasil, como um todo, está vivendo através do isolamento social, com grandes possibilidades dele se tornar uma quarentena oficial, decretada pelas autoridades públicas.

A Igreja, comunidade dos discípulos de Jesus, foi uma das primeiras instituições a dar um passo sério e decisivo, nesse difícil momento, para restringir a circulação de pessoas nas cidades, como tentativa de colocar um freio na pandemia. Muitas dioceses brasileiras emitiram notas, comunicados e decretos com várias orientações e recomendações. As mais duras, com toda a certeza, são com relação às suspensões das Missas e Celebrações dos Sacramentos por tempo indeterminado. Quanta tristeza e incerteza essa situação traz! Dói na alma de pensar em celebrar a Semana Santa sem a presença de fiéis.

Tais suspensões, no entanto, tem revelado um novo modo de evangelizar, até então difícil e incompreendido por muitos. O que se vê não é um fechamento de igrejas e cancelamentos de atividades, mas sim algo diferente, condicionado ao momento: a Paróquia virtual. Se para muitos essa realidade se confunde com o medo e receio pelo fechamento dos locais de oração, ou pelo temor do afastamento das pessoas e, até mesmo, das dificuldades financeiras, para o Espírito Santo, protagonista da missão e da pastoral, trata-se apenas uma possibilidade de fazer “novas todas as coisas” (cf. Ap 21, 5).

Providencialmente, na terça-feira (17 de março de 2020), a Palavra de Deus na primeira leitura da Missa falava forte ao coração e acalmava o espírito de todos os que estavam com medo de ficarem sem a Missa. Mas Deus falou através do Profeta Daniel: “neste tempo que estamos (...) não há holocausto nem sacrifício, não há oblação nem incenso, não há um lugar para oferecermos em tua presença as primícias, e encontrarmos benevolência; mas, de alma contrita e em espírito de humildade, sejamos acolhidos (...) assim se efetue hoje nosso sacrifício em tua presença, e tu faças com que te sigamos até o fim. De agora em diante, queremos, de todo o coração, seguir-te, temer-te, buscar tua face; não nos deixes confundidos, mas trata-nos segundo a tua clemência e segundo a tua imensa misericórdia; liberta-nos com o poder de tuas maravilhas e torna teu nome glorificado, Senhor” (cf. Dn 3, 38-39.41-43).

Quem poderia imaginar, em 2019, que os Bispos do Brasil seriam verdadeiros profetas e que, ao aprovarem as novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil 2019 – 2023, convocando a evangelização na cultura urbana, com um modo próprio de ser, propondo a Igreja como verdadeira casa, teriam de inserir todos os seus diocesanos, meses depois, na experiência, a fórceps, de uma Igreja doméstica, que precisaria aprender ser uma comunidade viva, porém virtual, online.

Quem diria que as redes sociais, antes tão mal utilizadas e que facilitavam o individualismo, tornar-se-iam agora, o grande instrumento de evangelização, a maior das possibilidades para a união da comunidade em um mesmo propósito. Reunindo-a, ao menos, virtualmente. O Espírito Santo sabe fazer “novas todas as coisas”. A criatividade pastoral despertou. O que antes era uma pastoral de conservação, em apenas uma semana tem se mostrado uma verdadeira pastoral em saída missionária. Estamos testemunhando inúmeras Missas, celebrações e orações transmitidas pelas redes sociais, onde o esforço dos Presbíteros, que buscam estar mais próximos do povo, é latente. Vemos catequistas se reinventando, fazendo vídeos e lives para continuar catequizando. E o resultado é perceptível: há um aumento das pessoas que acompanham as atividades das Paróquias virtualmente, online. Os que estavam longe se tornaram próximos. Isso talvez por causa do medo, que acende o interesse, em algumas pessoas, pelo recomeço na vida cristã. Ou pode haver outro motivo. Não interessa. Uma coisa nisso tudo é certa: uma nova Paróquia acaba de nascer!

A criatividade pastoral e a necessidade da evangelização virtual transformarão, para sempre, nosso modo de evangelizar na cultura urbana. A partir de pequenas comunidades eclesiais missionárias, a Igreja doméstica estará agora reunida com maior intensidade e com fervor redobrado. O isolamento social que se apresenta, colocando todos em suas casas, permitindo a revisão de muitos conceitos, é na realidade a grande Assembleia de Pastoral que fornecerá o material necessário para a atuação da Igreja na sociedade. Deste isolamento, o Senhor tirará o melhor para a Igreja. Os Planos Diocesanos de Ação Evangelizadora não serão mais os mesmos se escutarmos o que o “Espírito diz à Igreja” (cf. Ap 2, 7) com estes acontecimentos.

A Igreja, nessa situação, oferecerá a Missa todos os dias através dos seus sacerdotes (Bispos e Padres) de forma privada, mas não menos importante para o povo de Deus. Ninguém ficará sem os frutos da Eucaristia. Nossa história é absorvida na vida de Cristo. Antes de comungá-lo, Ele comunga a todos. Diz o profeta Zacarias: “naquele dia, homens de qualquer língua ou nação hão de pegar um judeu pela franja do manto dizendo: „convosco queremos caminhar, pois ouvimos dizer que Deus está convosco!‟” (cf. Zc 8, 23). Esse judeu é Jesus de Nazaré, o Cristo Senhor. Sem medo algum, agarrados no manto da Misericórdia, a Igreja irá com o Senhor, não adorando na Samaria ou em Jerusalém, neste ou naquele monte, mas fazendo das casas pequenas e verdadeiras comunidades eclesiais domésticas, onde os verdadeiros adoradores adorarão em espírito e verdade (cf. Jo 4, 21-23).

Igreja doméstica, comunidade cristã, paróquia virtual: uma nova comunidade! Rezar em família! Viver a fé em família! Eis a oportunidade para que os pais aproveitem para transmitir a fé aos seus filhos. Que a mesa de refeições das casas se torne, neste tempo, verdadeiro altar, onde a família reunida para a oração e alimentação se olhe nos olhos, entre no perdão mútuo e experimente o Amor de Deus ali realizado.

O Senhor saberá tirar coisas boas de tudo isso. Logo estaremos reunidos em nossas igrejas, na alegria própria da convivência da comunidade cristã, unidos para celebrarmos a vitória de Jesus Cristo sobre o pecado, a morte e, também, sobre este vírus. Que o Senhor nos permita sentirmos saudades daquilo que agora somos privados. Deus faz nova todas as coisas.

Pe. Leandro Megeto
Coordenador Diocesano da Ação Evangelizadora
Diocese de Jundiaí – SP

Nossa Senhora titu00



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